
AP MW
PORTO ALEGRE | RS
Ano de projeto: 2023
Ano de execução: 2024
Área: 58m²
Equipe de Projeto: Arq. Renata Beck, Arq. Rafael Guadagnini Colaboração: Acad. Juliana Senna e Acad. Selton Gualda

AP MW
PORTO ALEGRE | RS
Ano de projeto: 2023
Ano de execução: 2024
Área: 58m²
Equipe de Projeto: Arq. Renata Beck, Arq. Rafael Guadagnini Colaboração: Acad. Juliana Senna e Acad. Selton Gualda


No coração da cidade, o Apartamento MW foi concebido como resultado de uma colaboração rara e frutífera: o encontro entre o Atelier Aberto Arquitetura e um casal de arquitetos e artistas plásticos, que assinam junto cada etapa desta transformação. Com 54m², o imóvel reúne em sua síntese o diálogo entre referências modernistas, soluções contemporâneas e o desejo de fazer de cada centímetro um território habitável, acolhedor e funcional.
O programa original, com dois quartos e dois banheiros, sendo um deles suíte, deu lugar a uma configuração mais fluida: agora, o apartamento abriga uma suíte, uma confortável sala de estar, ampliada a partir da supressão do segundo dormitório. O lavabo reposiciona usos e circulações, enquanto a sala dialoga com a cozinha através de uma caixa preta em lâmina de madeira ebanizada, onde todos os armários se ocultam — inclusive a cuba, de louça preta, reforçando a unidade cromática do espaço. A área de serviços é resolvida em menos de 1m², camuflada atrás de uma porta camarão. Ali, lavadora, tanque, janela e varal atestam o bom aproveitamento dos pequenos espaços.
Os materiais, mais do que revestimentos, desenham a paisagem da casa: o piso de madeira se estende pela sala, suíte e cozinha, e contrasta com a pedra natural nos banhos e área de serviços. A marcenaria executada em lâmina pau-ferro acompanha toda a extensão da parede externa do apartamento, conectando sala e suíte em um único gesto horizontal. Este móvel se estende de ponta a ponta, integrando os ambientes e reforçando a continuidade espacial. Portas e gavetas, com fechamento em ângulo de 45° e ausência de puxadores aparentes, mantêm o desenho limpo e funcional. Persianas em madeira, escolhidas na mesma tonalidade, complementam o conjunto e estabelecem o ritmo dos vãos ao longo da fachada.
Entre sala e suíte, chão, móvel e espelho se somam numa cena de ilusionismos delicados. O bloco preto, também em lâmina ebanizada, divide os ambientes e parece solto do forro. A porta espelhada entre suíte e sala de estar, quando fechada, duplica o móvel e, quando aberta revela a continuidade dessa marcenaria, dissolvendo a fronteira entre os cômodos. No lavabo, o jogo de espelhos multiplica perspectivas, criando um instante de suspensão temporal para quem ali se vê.
Sem televisão, a casa se organiza em torno de projetores e telões, tanto no quarto quanto na sala, preservando flexibilidade de usos e limiar entre introspecção e convívio. As obras de arte, onipresentes pelas paredes, mesas, prateleiras, são testemunhos de uma coleção singular, composta apenas por trabalhos de outros artistas, contornando curiosamente as próprias criações do casal.
O projeto deste apartamento propõe síntese e densidade. Máquina de morar de vocação modernista, é também abrigo afetuoso para quem entende arquitetura como partilha: da casa, do tempo, do detalhe. Um ninho criado a quatro mãos, onde técnica e sensibilidade constroem juntos a paisagem dos dias.
Projeto desenvolvido em colaboração com os clientes, autores e habitantes do espaço.


































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